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IA Exige Mais Cabos Submarinos: Rede Global de Dados Próxima do Limite, Alerta Nokia

O avanço da Inteligência Artificial (IA) está gerando uma demanda sem precedentes por infraestrutura de rede, a ponto de pressionar os cabos submarinos que conectam continentes e sustentam o tráfego global de dados. John Harrington, vice-presidente executivo de infraestrutura de rede da Nokia para Europa, Oriente Médio, África e Ásia-Pacífico, alertou que **72% dos cabos submarinos já operam próximos do esgotamento de sua capacidade**.

Essa declaração foi feita durante o Atlantic Convergence, um evento de tecnologia realizado em Lisboa, Portugal, pela empresa de infraestrutura DE-CIX. Harrington destacou um dado impressionante: **entre 80% e 90% do tráfego internacional de dados ocorre, na verdade, entre data centers**. Esses centros de processamento e armazenamento são a espinha dorsal da computação em nuvem e dos modelos de IA generativa, e a crescente necessidade de processamento e análise de dados por essas tecnologias está sobrecarregando a infraestrutura existente.

A Pressão da Inferência em IA e a Necessidade de Redes Mais Robustas

A sobrecarga na infraestrutura está diretamente ligada ao que se chama de **inferência em IA**, que é o uso prático de modelos de inteligência artificial já treinados. Essa atividade está sendo cada vez mais deslocada para mais perto do usuário final, o que exige redes com **maior velocidade, segurança aprimorada, menor latência e uma capacidade de processamento distribuído mais robusta**. O conceito de **edge computing**, ou computação na ponta, ganha ainda mais relevância nesse cenário, pois permite que o processamento ocorra mais perto de onde os dados são gerados, aliviando a pressão sobre os cabos submarinos.

Nokia Investe em Segurança e Automação para a Era da IA

Diante desse cenário, a Nokia tem focado seus investimentos em redes que sejam **”seguras contra a era quântica”**. Isso inclui o desenvolvimento de **criptografia pós-quântica** e a **distribuição quântica de chaves**, tecnologias que visam proteger os dados em um futuro onde a computação quântica possa quebrar os métodos de criptografia atuais. Além disso, a empresa aposta em **automação orientada por eventos** e **gêmeos digitais** para simular ambientes de rede antes de implementar mudanças, minimizando riscos e otimizando o desempenho.

Tecnologias Inovadoras para a Infraestrutura de Rede

Outro ponto crucial abordado por Harrington foi o uso de **tecnologias de detecção em fibra óptica terrestre**. Inspiradas nas técnicas empregadas nos cabos submarinos, essas ferramentas ajudam a identificar cortes ou interferências físicas na rede terrestre, garantindo a continuidade do serviço. A **automação** também se mostra fundamental para mitigar erros humanos, que, segundo estudos do Uptime Institute, ainda são responsáveis por **39% das falhas em centros de dados**. Comandos em linguagem natural para a automação são vistos como uma forma de reduzir a dependência de operadores altamente especializados.

Parcerias Estratégicas e o Futuro da Conectividade Global

A Nokia tem fortalecido sua posição no mercado através de **parcerias estratégicas** com gigantes como Microsoft e Supermicro, além de empresas emergentes como a Nscale, focada em serviços de GPU como serviço (GPU as a service). O aporte da Nvidia na Nscale, e consequentemente na Nokia, evidencia a **crescente integração entre fabricantes de hardware, hyperscalers e operadoras de rede**. Harrington defende um futuro com **maior abertura nas redes**, baseado em padrões abertos e na integração de equipamentos de diferentes fornecedores, para garantir a escalabilidade e a eficiência da infraestrutura global de dados.

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