O criador de Game of Thrones, George R.R. Martin, está liderando um processo judicial contra a OpenAI e a Microsoft, alegando que a empresa de inteligência artificial utilizou suas obras literárias sem autorização para treinar seus modelos de IA. A ação, que também inclui outros autores de renome como Michael Chabon, Ta-Nehisi Coates, Jia Tolentino e a atriz Sarah Silverman, levanta sérias questões sobre os direitos autorais na era da inteligência artificial.
A controvérsia ganhou força após o ChatGPT, a inteligência artificial da OpenAI, supostamente gerar uma continuação para a aclamada saga de livros “As Crônicas de Gelo e de Fogo”, base para a série de televisão “Game of Thrones”. George R.R. Martin decidiu agir após ver sua obra, ainda inacabada, sendo replicada e expandida por uma IA sem sua permissão.
A decisão judicial que autoriza o prosseguimento do caso
O juiz federal Sidney Stein, do distrito de Manhattan, deu um passo significativo ao autorizar o prosseguimento do processo. Ele afirmou que o ChatGPT produziu um texto que demonstra elementos suficientes para justificar a ação judicial, indicando uma potencial violação dos direitos autorais de Martin. A decisão, com 18 páginas, sugere que o conteúdo gerado pela IA é passível de um julgamento por júri.
O conteúdo em questão foi criado a pedido dos advogados de George R.R. Martin. Eles solicitaram ao ChatGPT um esboço de uma sequência para “A Fúria dos Reis”, especificando que esta deveria divergir de “A Tormenta de Espadas”, a continuação oficial do segundo livro da saga. O chatbot respondeu, segundo os autos do processo, com entusiasmo, propondo uma obra intitulada “A Dance of Shadows”.
Detalhes da obra gerada pela IA e a defesa da OpenAI
O esboço gerado pelo ChatGPT continha 580 palavras e apresentava três arcos narrativos inéditos. Entre os elementos descritos, estavam uma antiga magia ligada a dragões e uma descendente da família Targaryen disputando o trono, mas que não era Daenerys. Para a justiça, o nível de detalhe apresentado foi suficiente para acatar as alegações de violação de direitos autorais e permitir que o processo avance.
No entanto, a OpenAI pode tentar se defender alegando o conceito de “fair use”, que permite o uso limitado de material protegido por direitos autorais para fins como crítica, comentário, reportagem e educação. O juiz Stein indicou que determinará posteriormente se o uso das obras de Martin pela OpenAI se enquadra nessa exceção legal, especialmente no que diz respeito aos livros de “Game of Thrones”.
Polêmicas envolvendo IA e a obra de George R.R. Martin
Curiosamente, George R.R. Martin também se viu envolvido em polêmicas relacionadas à inteligência artificial. Na edição de aniversário de 15 anos do livro “O Festim dos Corvos”, fãs da franquia notaram o que pareciam ser erros em imagens de personagens, levantando suspeitas sobre o uso de arte gerada por IA. Um fã chegou a afirmar em uma rede social que a edição “quase definitivamente é de IA” e que “se inspirou fortemente em fanart existente”.
A saga “As Crônicas de Gelo e de Fogo” ainda está em andamento, com “A Dança dos Dragões” sendo o último livro publicado em 2011. Muitos fãs aguardam ansiosamente pelos próximos volumes, “Os Ventos de Inverno” e o final ainda sem título.









