O Brasil na Vanguarda da Adoção de Agentes de IA
As empresas brasileiras estão à frente da curva global quando o assunto é a adoção de agentes de IA. Um novo estudo da Cisco, o Índice Anual de Preparação para IA (Cisco AI Readiness Index), aponta que impressionantes 92% das organizações no Brasil planejam implantar agentes de IA, um índice superior à média global. Essa transição marca uma nova fase da Inteligência Artificial, indo além dos chatbots reativos para sistemas que executam tarefas de forma autônoma e aprendem continuamente.
A pesquisa, que ouviu mais de 8.000 líderes em IA em 30 países, incluindo o Brasil, revela um grupo seleto de empresas, os chamados “Pacesetters” ou “Empresas Referência”, que se destacam em todas as métricas de valor da IA. No Brasil, 18% das empresas se enquadram nesse perfil, superando a média global de 13%, embora tenha havido uma leve queda em relação aos 25% registrados na edição anterior.
A Vantagem Competitiva dos Pacesetters na Era da IA
Os Pacesetters demonstram uma resiliência notável, adotando uma abordagem disciplinada e sistêmica que equilibra direcionadores estratégicos com a infraestrutura e os dados necessários para acompanhar a evolução acelerada da IA. Essas empresas brasileiras e globais já estão arquitetando o futuro: 98% delas estão projetando suas redes para o crescimento, a escala e a complexidade da IA, em comparação com apenas 46% da média geral das demais companhias.
Essa combinação de visão de futuro e bases sólidas está gerando resultados tangíveis. Segundo o estudo, 90% dos Pacesetters relatam ganhos em lucratividade, produtividade e inovação, um contraste significativo com os cerca de 60% observados entre as empresas menos maduras. Jeetu Patel, presidente e diretor de Produtos da Cisco, enfatiza a mudança de paradigma: “Estamos superando a era dos chatbots que respondem a perguntas e entrando na próxima fase importante da IA: agentes que executam tarefas de forma independente”. Ele completa que “mais de 80% das empresas no mundo estão priorizando soluções de agentes, com dois terços relatando que esses sistemas já estão atendendo ou superando suas metas de desempenho”.
Ambição Versus Prontidão: O Desafio dos Agentes de IA
Apesar da alta ambição, a pesquisa da Cisco também revela uma lacuna entre o desejo de implementar agentes de IA e a prontidão operacional das empresas. Enquanto 92% das empresas brasileiras planejam a implementação, apenas 52% esperam que esses agentes trabalhem ao lado de suas equipes já no próximo ano. Para a maioria das organizações, a infraestrutura atual não está preparada para lidar com a complexidade e o volume de dados exigidos por sistemas de IA autônomos.
Mais da metade dos entrevistados (54%) admite que suas redes não conseguem escalar para a complexidade ou volume de dados que a IA exige, e apenas 15% descrevem suas redes como flexíveis ou adaptáveis. As empresas Referência, por sua vez, são a exceção, pois sua abordagem disciplinada já estabeleceu as bases necessárias para escalar a IA de forma eficaz.
A ‘Dívida de Infraestrutura de IA’: Um Novo Gargalo
O relatório da Cisco introduz um conceito crucial: a Dívida de Infraestrutura de IA. Esta é a evolução moderna da dívida técnica e digital que, no passado, freava a transformação. Trata-se do acúmulo silencioso de compromissos não cumpridos, atualizações adiadas e arquitetura subfinanciada, que, com o tempo, corrói o valor potencial da IA.
Sinais de alerta já são visíveis: 62% das empresas esperam que as cargas de trabalho aumentem em mais de 30% em três anos, 64% enfrentam dificuldades para centralizar dados, apenas 26% possuem capacidade robusta de GPU e menos de um terço consegue detectar ou prevenir ameaças específicas de IA. No Brasil, 41% das organizações ainda estão em um nível de menor prontidão, classificadas como ‘seguidores mais tardios’ (Followers), o que as torna mais vulneráveis a essa dívida.
Essa dívida pode aumentar riscos significativos, especialmente quando os sistemas que sustentam a IA não são seguros. Embora os Pacesetters não estejam imunes, sua visão de futuro, governança e disciplina de investimento os ajudam a evitar que esses problemas se transformem em riscos mais caros e impactantes para a organização. O valor, portanto, acompanha a prontidão, e as empresas mais preparadas para IA estão ditando o ritmo para que outras sigam, navegando com sucesso nesta nova era de demanda constante por processamento e inovação.









